Diamante de Laboratório para Anel de Noivado: Guia Completo por Volpi Joias
Hoje completamos 3 anos trabalhando com diamante cultivado em laboratório, ao invés do diamante extraído da terra. Fomos a primeira joalheria do Brasil a utilizar exclusivamente lab Diamond em anéis de noivado.
Esse pioneirismo além de trazer novos aprendizados, trouxe junto novos desafios – como tudo que é novidade.
Antes de vender uma joia com diamante de laboratório, existe todo um processo educativo e de apresentação da gema, e isso foi o que deu origem a esse guia, onde estamos compilando todas as dúvidas que geralmente recebemos.
Se você quer aprender sobre diamante de laboratório, você veio ao lugar certo. Vamos as perguntas…
Diamante de laboratório é diamante de verdade?
Sim — diamante de laboratório é diamante de verdade, com a mesma composição física e química do diamante extraído da terra.
Para dizer que algo é igual a outro, é necessário que ambos tenham a mesma composição física e química, e é exatamente isso que acontece aqui. É diferente, por exemplo, quando comparamos couro natural do couro sintético: um é tecido orgânico, o outro é PU (plástico).
Então quando falamos que o diamante de laboratório e o "natural" são a mesma pedra, de fato elas são. Dois cristais de carbono, com as mesmas características, a única diferença é sua origem.
Diferença entre diamante de laboratório e natural
Como explicamos logo acima, as duas gemas de origem diferente não possuem qualquer diferença – além do preço, é claro. E é isso que vamos abordar aqui: o preço.
A gema extraída tem seu preço elevado não porque é mais rara — o diamante é a gema mais abundante da terra, existem jazidas na Rússia com trilhões de carats disponíveis, suficiente para suprir a demanda até o fim da humanidade.
Historicamente, o diamante extraído teve seu valor moldado por décadas de controle de oferta por poucas grandes mineradoras — a mais conhecida delas, a De Beers, chegou a dominar a maior parte da produção mundial ao longo do século XX, embora hoje enfrente bem mais concorrência e uma fatia de mercado consideravelmente menor. Ainda assim, esse histórico de concentração ajudou a manter os preços da gema natural artificialmente elevados por muito tempo, efeito que se sente até hoje.
Além do histórico de concentração de mercado, existe também o custo da extração. Ainda boa parte da mineração é feita com capital humano, geralmente mal remunerado e em condições análogas à escravidão. Mas mesmo pagando pouco a esses trabalhadores, as mineradoras cobram mais caro na gema por essa mão de obra. E temos também o custo da aquisição das terras, compra de maquinários, licenças para exploração — a lista é grande.
Agora vamos ao diamante cultivado em laboratório: o custo está atrelado ao maquinário e às horas gastas no cultivo da gema, que geralmente leva em média 2 meses.
Não precisamos ir além para explicar por que a gema extraída é significativamente mais cara que a cultivada.
Existe diferenças entre diamantes de laboratório?
Existem sim, nem todo diamante de laboratório é igual. Há dois modos de cultivar diamante: HPHT e CVD.
Método HPHT (Alta Pressão e Alta Temperatura)
Imita a formação natural do diamante na terra. Uma pequena semente (partícula de diamante) é colocada em uma máquina juntamente com uma pastilha de carbono (geralmente grafite). Essa semente passa algumas semanas recebendo calor acima de 1500 °C e sendo comprimida com 1,5 milhão de atmosferas.
Método CVD (Deposição Química de Vapor)
O método CVD é o mais utilizado para gemas grandes, superiores a 1ct. Nele, vapor de gás rico em carbono vai se cristalizando ao redor da semente de diamante, e a gema passa semanas se desenvolvendo até atingir o tamanho desejado para lapidação.
Apesar do método, o resultado é o mesmo: uma gema igual àquela extraída da terra.
Diamante de laboratório perde valor de revenda?
É muito difícil revender diamante de laboratório — praticamente não há mercado comprador. Todas as perguntas deste guia são respondidas com sinceridade, e aqui não seria diferente.
Mas calma, isso não deve ser motivo de preocupação na compra, porque isso não é exclusivo do diamante de laboratório, mas sim de todas as gemas, inclusive o diamante natural.
As joalherias de modo geral evitam comprar gemas de pessoas comuns (que não sejam do ramo ou fornecedores reconhecidos), e quando compram, pagam menos de 20% do valor adquirido.
Um diamante que você tenha adquirido por R$10 mil, vão lhe pagar menos de R$2 mil, caso tenham se interessado pela gema.
Na hora de comprar uma joia, tenha em mente que não se trata de um investimento — você está adquirindo um item com significado além do monetário.
Quanto custa um diamante de laboratório vs natural do mesmo tamanho?
Um diamante extraído da natureza de 1ct, com claridade VS e cor até G, costuma girar em torno de R$100 mil no mercado — valor de referência que pode variar conforme fornecedor e momento de mercado. O mesmo diamante, cultivado em laboratório, sai por uma fração disso: próximo de R$10 mil.
Sim, a diferença impressiona. Como já tratamos acima, existem custos reais atrelados à pedra extraída da terra. Mas essa comparação evidencia ainda mais o efeito da concentração histórica de mercado no segmento dos diamantes naturais.
Se a indústria fosse mais distribuída entre diferentes produtores desde sempre, é bem provável que tivéssemos valores mais equilibrados também na gema natural.
É por isso que defendemos não somente a gema de origem mais ética, mas também o consumo mais consciente. Já dissemos que joia não é investimento, mas investir não é somente sobre compra e venda — é também sobre boas escolhas de consumo.
Do ponto de vista de consumo, faz muito mais sentido investir em diamante de laboratório, mesmo tendo condições de comprar um diamante natural, e aplicar o restante do dinheiro em um ativo remunerado (CDB, LCI, ações da bolsa).
Certificação IGI: o que significa e por que importa
Regra número um das joias de diamante: não compre gemas sem certificação GIA ou IGI.
GIA e IGI são dois dos laboratórios gemológicos mais famosos do mundo, responsáveis por emitir o certificado das gemas baseado nos 4Cs. O que esses dois laboratórios fazem, basicamente, é emitir o RG da gema, com todos os detalhes que importam.
Quando você compra um anel de noivado, por exemplo, o que você está comprando além do design e do ouro é o diamante cravado na peça — e por isso o certificado se faz tão importante. Você precisa saber que está pagando o preço correspondente ao que vai levar para casa.
Um dos principais benefícios do diamante de laboratório é que você consegue obter gemas de altíssima qualidade por um preço justo, enquanto gemas de mesma qualidade naturais são reservadas para o mercado internacional.
Como identificar um diamante de laboratório de qualidade na hora de comprar
Diamante VVS1/2, cor entre DEF, corte, polimento e simetria excelentes, sem fluorescência — são características das gemas que você consegue ter acesso escolhendo o diamante lab; pelo menos são essas as gemas que usamos aqui nos nossos anéis de noivado com diamante lab.
Todas essas características de gema premium, aliadas a um certificado IGI ou GIA, é o que garante que você está fazendo uma ótima escolha de pedra.
Mas existe um detalhe que somente o certificado revela — um detalhe que pode passar despercebido, mas que julgamos um dos mais importantes: o pós-tratamento que algumas gemas passam, usado para aprimorar brilho, preencher fissuras ou mudar sua cor. É preciso evitar esse pós-tratamento a todo custo, porque ele prejudica a gema a longo prazo, mudando sua cor, brilho e claridade.
Nossa dica: antes de adquirir seu anel, verifique no site da loja as características da gema utilizada. Muitas joalherias não fornecem acesso antecipado ao certificado, o que é normal por se tratar de um documento — mas você pode solicitar esses detalhes.
Risca ou desgasta com o tempo?
É fisicamente impossível riscar um diamante de laboratório, e ele também não se desgasta com o tempo. Por apresentar as mesmas características físicas e químicas do diamante natural, ele possui a dureza máxima existente entre todos os minerais.
Mas isso não significa que ele não requer cuidados: sempre é bom evitar manusear produtos químicos abrasivos, e fazer uma limpeza periódica com água morna e sabão neutro para tirar resíduos de produtos de beleza e limpeza.
Este mesmo cuidado você precisa ter com todas as suas outras joias com gemas preciosas.
É realmente sustentável e ético?
Sim — comparado ao diamante extraído da terra, o diamante de laboratório é ético e sustentável.
Há quem diga que não é, porque ele também consome energia e água em abundância — isso é parcialmente verdade. Mas quando falamos que ele é sustentável e ético, a comparação é sempre relativa: frente ao diamante extraído, que além de gastar os mesmos recursos, destrói uma área enorme para obter alguns poucos carats, e está entre as indústrias que mais exploram capital humano, o diamante de laboratório é claramente a escolha mais consciente.
Conclusão
Esperamos, ao término deste texto, ter respondido todas as suas possíveis dúvidas, e ter deixado claro por que o diamante de laboratório é a melhor opção ao natural.
Agora você tem o conhecimento necessário para fazer uma boa escolha na hora de comprar seu anel de noivado.
